quarta-feira, 7 de maio de 2014


Moda das bananas: #somostodosmacacos

De um dia para o outro, as redes sociais se encheram de bananas. Conhecidos comendo a fruta, desenhos, camisas estampadas, e várias, várias celebridades posando com o alimento. Tudo começou com a atitude do jogador Daniel Alves, que deu uma das melhores respostas ao ato racista de atirar bananas em campo: comeu a fruta. Em seguida, a partir de uma imagem postada no Instagram pelo jogador Neymar, a hashtag #somostodosmacacos se espalhou pelas redes sociais, junto com a imagem de pessoas repetindo a atitude de Daniel Alves.

Bastou os globais Luciano Huck e Angélica postarem uma foto com uma banana e cara de indignados para a atitude começar a ser criticada como sendo hipócrita. E quando se descobriu que a foto de Neymar tinha sido parte de uma estratégia publicitária planejada meses atrás, as redes sociais se dividiram de vez. Choveram de críticas à campanha, e uma segunda hashtag começou a se espalhar: #naosomosmacacos.
Enquanto quase todos concordam que a atitude de Daniel Alves foi incrível, uma parcela acha perigoso responder ao racismo com um gesto de assim. A visão era de que esse tipo de atitude não é algo que deve ser respondido com uma "banana" (seja o gesto ou a fruta), mas tem que ser combatido e punido diariamente. (Vale lembrar que a polícia espanhola e o Villa Real tiveram uma atitude exemplar, detendo o torcedor e o banindo do estádio).
Como muita gente apontou, é realmente difícil lembrar-se de alguma vez em que Luciano Huck, Angélica ou mesmo Neymar tenham lutado contra o racismo. O apresentador, inclusive, colocou uma linha de camisetas com a hashtag #somostodosmacacos à venda, pelo preço salgado de R$ 69, um valor que só quem tem um bom dinheiro pode gastar com uma camiseta. E o jogador foi criticado por ter dito não ser negro em 2010.
Entendo a preocupação de quem luta contra o racismo há tempos e de repente vê sua causa transformada em campanha publicitária. Mas é preciso também entender que algumas pessoas só vão ter contato com esse tema por meio de propagandas e celebridades. Nem todos lêem artigos sobre racismo, conversam com pessoas que pensam e discutem sobre o assunto ou sequer tem um contato pessoal com quem foi vítima do preconceito. Espalhar a mensagem, mesmo que dessa forma, através de uma foto com celebridades, pode não ser o meio mais nobre ou correto de combater o racismo, mas agora mais pessoas estarão discutindo o assunto e pensando a respeito.

É claro que as celebridades e a agência publicitária lucraram com o episódio, que vai cair no esquecimento na semana que vem. Mas pelo menos agora, ao contrário de outras vezes, a sociedade lucrou um pouquinho também.

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