Moda das bananas: #somostodosmacacos
De
um dia para o outro, as redes sociais se encheram de bananas. Conhecidos
comendo a fruta, desenhos, camisas estampadas, e várias, várias celebridades
posando com o alimento. Tudo começou com a atitude do jogador Daniel Alves, que
deu uma das melhores respostas ao ato racista de atirar bananas em campo: comeu a fruta. Em seguida, a partir de uma imagem postada no Instagram
pelo jogador Neymar, a hashtag #somostodosmacacos se espalhou pelas redes
sociais, junto com a imagem de pessoas repetindo a atitude de Daniel Alves.
Bastou os globais Luciano Huck e Angélica postarem uma foto com uma banana e cara de indignados para a atitude começar a ser criticada como sendo hipócrita. E quando se descobriu que a foto de Neymar tinha sido parte de uma estratégia publicitária planejada meses atrás, as redes sociais se dividiram de vez. Choveram de críticas à campanha, e uma segunda hashtag começou a se espalhar: #naosomosmacacos.
Bastou os globais Luciano Huck e Angélica postarem uma foto com uma banana e cara de indignados para a atitude começar a ser criticada como sendo hipócrita. E quando se descobriu que a foto de Neymar tinha sido parte de uma estratégia publicitária planejada meses atrás, as redes sociais se dividiram de vez. Choveram de críticas à campanha, e uma segunda hashtag começou a se espalhar: #naosomosmacacos.
Enquanto quase todos concordam que a atitude de Daniel Alves foi
incrível, uma parcela acha perigoso responder ao racismo com um gesto de assim.
A visão era de que esse tipo de atitude não é algo que deve ser respondido com
uma "banana" (seja o gesto ou a fruta), mas tem que ser combatido e
punido diariamente. (Vale lembrar
que a polícia espanhola e o Villa Real tiveram uma atitude exemplar, detendo o
torcedor e o banindo do estádio).
Como muita gente apontou, é realmente difícil lembrar-se de alguma vez
em que Luciano Huck, Angélica ou mesmo Neymar tenham lutado contra o racismo. O
apresentador, inclusive, colocou uma linha de camisetas com a hashtag
#somostodosmacacos à venda, pelo preço salgado de R$ 69, um valor que só quem
tem um bom dinheiro pode gastar com uma camiseta. E o jogador foi criticado por
ter dito não ser negro em 2010.
Entendo a preocupação de quem luta contra o racismo há tempos e de
repente vê sua causa transformada em campanha publicitária. Mas é preciso
também entender que algumas pessoas só vão ter contato com esse tema por meio
de propagandas e celebridades. Nem
todos lêem artigos sobre racismo, conversam com pessoas que pensam e discutem
sobre o assunto ou sequer tem um contato pessoal com quem foi vítima do
preconceito. Espalhar a mensagem, mesmo que dessa forma, através de
uma foto com celebridades, pode não ser o meio mais nobre ou correto de
combater o racismo, mas agora mais pessoas estarão discutindo o assunto e
pensando a respeito.
É claro que as celebridades e a agência publicitária lucraram com o
episódio, que vai cair no esquecimento na semana que vem. Mas pelo menos agora,
ao contrário de outras vezes, a sociedade lucrou um pouquinho também.

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